___________________era o que dona Gilda dizia quando via coisa boa.


segunda-feira, 17 de novembro de 2008

De Elvis e Garrincha

Por Marco Nalesso para o Claro(!), caderno especial do Jornal do Campus da USP


A nova rotina de trabalho da revolução industrial enrijeceu a postura corporal da população européia. Para Willian Reich, psicanalista do século XIX, isto transformou-se em uma camisa de força emocional e deu origem à repressão sexual e à visão de mundo mecanicista, adepta das regras e do perfeccionismo e avessa à espontaneidade.

Para Reich, a tensão na pélvis, região inferior da bacia humana, era responsável pelo represamento dos impulsos sexuais e por uma série de distúrbios psicológicos. Na década de 50, um cantor americano chamado Elvis Presley, conhecido como Elvis the Pelvis, revolucionou os padrões de comportamento ocidentais requebrando o quadril explosivamente. Dizia-se que ele era um branco que dançava como preto.

Isto porque dentro dos clubes noturnos negros dos Estados Unidos, o molejo do jazz já embalava multidões de dançarinos havia gerações. Com o isolamento social que predominou até a época, os negros puderam conservar alguns elementos da cultura africana, como o swing. No Brasil, o mesmo gene cultural está na raiz do samba, da capoeira e até do “jeitinho”, nosso jogo de cintura moral.

Na técnica musical, o swing é identificado com a habilidade do instrumentista de fugir da exatidão rítmica repetitiva, adicionando profundidade e sutileza à composição. No futebol, a ginga é usada para criar a imprevisão que desorienta o adversário e tem o dom de transformar o combate em dança.

O cronista Rubem Alves definiu o gol como um estupro, afirmando que o único prazer do futebol esta no sofrimento alheio e, de fato, o acirramento da competitividade endureceu o jogo. Com uma revolução industrial ocorrendo dentro do esporte, a ginga do futebol brasileiro é apontada como reduto de resistência de sua beleza.

“Hoje a maioria dos jogadores são fortes, mas a força nunca vai ganhar da inteligência. Se você for mais inteligente não tem como o zagueiro te pegar”, diz Robinho no documentário “Ginga – The soul of brasillian footbol”. Brasillian assim com “s” mesmo.


Nenhum comentário: