___________________era o que dona Gilda dizia quando via coisa boa.


terça-feira, 20 de maio de 2008

Os sons que vêm da USP

Por Marco Nalesso para o Jornal do Campus da USP

Ninguém colou cartaz. Na verdade ninguém se preocupou muito com divulgação, número de público, segurança, cachê dos músicos – nem os próprios. Para Lester Bangs o maior problema da arte é se levar a sério. Então o caos dessas reuniões beira a perfeição.

É terça-feira e você imagina que os únicos lugares da cidade com alguma coisa pra fazer à noite são aqueles cheios de moderninhos, pra quem sair de sábado é uma piada: bacana é dar banda nos dias estranhos, como terça e segunda. Errado. Experimente passar no CA da biologia e vai descobrir que nem só de Bob vivem os ouvidos do pessoal. "Antes de virem as pessoas acham que é um bando de bicho-grilo", dizem Guguinho, Gandhi, Teté, Fino e Nabo.

Os cinco comandam a roda de choro semanal, também integrada eventualmente por Bozo, Fritz, Minduim e qualquer um que aparecer e souber tocar ou batucar na cadência. Programa completíssimo, a não ser que um ex-aluno sem carteirinha resolva varar o bloquieo no P1 e se misturar com a galera que curtia o som para fugir da guarda universitária, e esta suspenda a venda de bebidas na lanchonete do Seu Ângelo. Mas não faz mal porque o samba desce redondo até com a garganta seca.

Na última quinta-feira do mês existe a oportunidade única de ver a metaforfose de Caetano em Bob Marley. It's a long way, do álbum Transa, um dos mais obrigatórios do baiano, mescla-se com Get Up, Stand Up, e o jam sólido da banda do Canil vai embora. É só comparecer à prainha da ECA e ter disposição que a noite vira dia ao som da banda "oficial" e outras atrações.

Quem gosta de invenção também se dá bem na sexta-feira no happy-hour da FAU. Se houver música ao vivo, será do naipe dos Quase Carnívoros, que mandaram um rockezinho com pegada indie na última semana. O grupo de maracatu dos arquitetos costuma fechar a noite.

Crumberries, depois samba-rock, depois Jota-Quest. É a programação bizarra da Antena 1? Não, é o FEMA, o Festival de Música das Arcadas, da São Francisco, que fez o porão da faculdade não ficar devendo kitsch pra nenhum inferninho da Augusta. Uma apresentação de heavy metal intercalou a de música brega e a de sertanejo, e não teve estagiário engravatado que ficasse parado.

"Teve banda que se inscreveu sem existir anteriormente. Vários componentes de uma delas não apareceram e o pessoal saiu procurando gente na hora pra tocar", conta Polliana Soares, aluna do quinto ano. Para o jurado João Nascimento, a qualidade das bandas variou entre os extremos, mas cumpriu com a função de um festival universitário. A segunda etapa rola nos dias 6 e 13 de junho, com Nosotros, Fernando Ramos, Bem Affleck e as outras 9 bandas classificadas.

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