segunda-feira, 17 de novembro de 2008
Radiohead no Brasil!
Para ver com seus próprios olhos:
http://www.radiohead.com/tourdates/
Daniel Schorr – Na ponte Brasil/Canadá
A bagagem do homenageado brasileiro do Anima Mundi 2008
Por Marco Nalesso para a Revista Plano B
São Paulo - 5/8/2008
Com 15 anos, Daniel Schor descobriu o acervo de filmes do consulado do Canadá no Rio. Montou um cineclube em sua escola, e a paixão pela animação começou. “Eu assistia várias vezes a cada filme e comecei a me interessar sobre a forma de produzi-los. Chegava pegar as películas para analisar quadro a quadro”, conta.
Os curtas do consulado eram do National Film Board, casa de papas da animação como Norman McLaren e René Jodoin. A marca do estúdio é a liberdade concedida a seus diretores, que têm a última palavra no lugar dos produtores, controlam todo o processo produtivo e trabalham sozinhos ou com equipe reduzida. Além da busca de um estilo pessoal e de uma pesquisa própria de linguagens, isso implica em obras de metragem menor, explica Daniel, hoje o primeiro e único animador da América Latina a integrar o quadro da instituição canadense.
Na década de 70 não existiam cursos de animação no Brasil, e o aprendizado era feito no esquema da camaradagem entre os profissionais da publicidade, que passavam técnicas básicas e dicas, como “onde encontrar os materiais”. Depois de bater perna por alguns anos, Daniel e um grupo de amigos da faculdade de comunicação da PUC fundaram a revista de cartum Art&Manha. Em 1983, após a formatura, o grupo abriu a produtora Oficina de Cinema de Animação, que voltou a exibir os filmes do consulado nas sextas à noite.
Em 86, um convênio entre a Embrafilme e o NFB trouxe ao Brasil os diretores Jean-Thomas Bedard e Pierre Veilleux. Dez animadores brasileiros foram escolhidos para participar do curso que seria a primeira atividade do Centro Técnico Audiovisual – CTAv, recém-criado também com o apoio do estúdio canadense. “No início o CTAv foi montado com nossos móveis”, lembra Daniel.
Marcos Magalhães, responsável pela coordenação e pelas aulas ao lado dos canadenses, lembra que o grupo formado ali seria peça chave na disseminação da animação no Brasil. Lá estavam Aida Queiroz, Cesar Coelho, Léa Zagury e Daniel Schor, mais tarde responsáveis pela criação do Anima Mundi ao lado de Marcos.
Após o curso, Daniel decolou para o Canadá com a finada bolsa de aperfeiçoamento da CAPES, que possibilitava aos intercambistas a experiência em instituições não voltadas ao ensino, como o National Film Board. Um ano depois ele seria convidado a ficar no Canadá. “Talento a gente sabe que tem, mas as pessoas vão para fora e entram na indústria. O Daniel foi para um lugar que propicia o animador fazer um filme todo seu, e de lá passou a fazer uma ponte entre o Brasil e o Canadá”, afirma Marcos Magalhães.
“Há 25 anos, quando escolhi cinema, eu sabia que ia ser difícil. Então decidi que não ia ser um cineasta reclamão. Sempre visei formação, produção e também a conquista de formadores de opinião para aumentar o campo da animação em vez de brigar pelo alpiste. Agora noto uma diferença na animação brasileira. Hoje acontece uma efervescência semelhante à que motivou o convênio nos anos 80, mas a demanda não é mais pela formação dos profissionais, mas sim por uma vitrine para nossos animadores, que já produzem coisas incríveis. É hora de superar a visão de que os canadenses são professores e nós alunos, porque agora é hora de troca e parceria”, afirma Daniel. Entre a criação e as aulas de animação no John Abbott College, o brasileiro, que acredita haver uma grande curiosidade no Canadá em relação ao Brasil, apresenta um programa de música e cultura brasileira na CKUT, uma das rádios mais populares de Montreal, e é curador do Festival de Cinema Brasileiro de Montreal.
“Jonas e Liza” (1995), realizado em co-direção com Zabelle Cote, é sua obra mais premiada até o momento. A idéia do filme partiu da ONU, que queria um material sobre os direitos das crianças. Para se contrapor a idéia inicial da história, que não batia com a realidade brasileira, Daniel realizou um trabalho de um ano com crianças de rua do Rio de Janeiro. A pesquisa resultou no documentário “Vida de Menino de Rua” (1992) e na mudança nos rumos do roteiro da animação. Na versão final, Jonas e Lisa moram no morro, são obrigados a trabalhar e mal-tratados pelo padrasto alcoólatra. Na produção Daniel empregou a técnica desenvolvida por ele de colorir com aquarela direto sobre a película. O filme faturou prêmios de melhor da categoria em Havana, Chicago e em diversos festivais no Brasil, como a escolha da audiência no Anima Mundi.
A brasilidade também está presente em seu último trabalho, “Dominós” (2007). O chorinho embala os personagens, produzidos exclusivamente com recortes de papel. “No começo do trabalho percebi que a maioria dos diretores do estúdio estava interessada em produzir filmes em 3D. Ser do contra é típico do animador. Então resolvi contar uma história complexa com o mínimo de recursos, sem perspectiva ou gama de cores, para ressaltar o movimento, para mim a essência da animação. Também tive a intenção de resgatar a simplicidade das obras de Jodoin e McLaren, que é a herança do National Film Board, e fazer um filme com a cara dos que eu assistia com 15 anos”, relata Daniel. Segundo ele a diferença, tema do filme, está representada no sotaque do samba composto pelo canadense Norman Roge. O diretor diz que trabalha em regime de parceria com músicos e sonoplastas, que para ele são responsáveis por 50% da criação de um filme. Daniel, que costuma trabalhar ouvindo música brasileira, surpreendeu-se com seus dominós quando foi encaixada a trilha: eles se mexiam na cadência do samba.
Seu novo projeto é a série de animação “Para dar um jeito no Mundo”, composta por 3 filmes sobre cada um dos 8 objetivos do milênio propostos pela ONU em 2000. Brasil e Canadá, co-produtores da série, dividirão a produção dos vídeos de 1 minuto. O NFB, o Ministério da Cultura brasileiro e a Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão – ABPITV apóiam a iniciativa, que será produzida pela 1 Filmes, de Arnaldo Galvão, no Brasil, e pela Kibooj no Canadá.
“Eu procuro manter esse vínculo com o Brasil, que é importante para recarregar as baterias das minhas raízes culturais e para minha sanidade mental”, diz Daniel.
Daniel também trabalha no planejamento da linha de montagem da série “Lá Vem o Andy” (What’s With Andy?). A produção relâmpago dos 26 capítulos de trinta minutos de cada temporada passa por Coréia, Chile, Canadá e Estados Unidos. “Eu gosto de ver como funciona a cabeça de outras pessoas. Quando o filme não é seu, você pode dar dez idéias por segundo sem arcar com o peso da decisão”, diz.
O diretor não vê um embate entre a formas de produção industrial e autoral, já que ambas visam igualmente sucesso de público. “Mas a animação autoral respeita mais a inteligência do público. Não é porque um diretor fez sucesso que todo mundo tem que fazer igual” adverte. Ele acredita que o formato autoral é mais apropriado para abarcar a enorme diversidade cultural do Brasil e prega: “O ramo musical, no qual o mercado das gravadoras e o independente coexistem, é um ótimo modelo para a animação. Também temos que aproveitar nossa riqueza cultural como diferencial na hora da exportação”.
Rique Unha Preta

Produzida para o Claro(!) que abordou o tema Nômade. Publiquei a imagem porque desta vez editei minha própria página. Vale a pena conferir a história desde cara que viajou 3 anos literalmente sem lenço nem documento. Abraços!
De Elvis e Garrincha
Por Marco Nalesso para o Claro(!), caderno especial do Jornal do Campus da USP
A nova rotina de trabalho da revolução industrial enrijeceu a postura corporal da população européia. Para Willian Reich, psicanalista do século XIX, isto transformou-se em uma camisa de força emocional e deu origem à repressão sexual e à visão de mundo mecanicista, adepta das regras e do perfeccionismo e avessa à espontaneidade.
Para Reich, a tensão na pélvis, região inferior da bacia humana, era responsável pelo represamento dos impulsos sexuais e por uma série de distúrbios psicológicos. Na década de 50, um cantor americano chamado Elvis Presley, conhecido como Elvis the Pelvis, revolucionou os padrões de comportamento ocidentais requebrando o quadril explosivamente. Dizia-se que ele era um branco que dançava como preto.
Isto porque dentro dos clubes noturnos negros dos Estados Unidos, o molejo do jazz já embalava multidões de dançarinos havia gerações. Com o isolamento social que predominou até a época, os negros puderam conservar alguns elementos da cultura africana, como o swing. No Brasil, o mesmo gene cultural está na raiz do samba, da capoeira e até do “jeitinho”, nosso jogo de cintura moral.
Na técnica musical, o swing é identificado com a habilidade do instrumentista de fugir da exatidão rítmica repetitiva, adicionando profundidade e sutileza à composição. No futebol, a ginga é usada para criar a imprevisão que desorienta o adversário e tem o dom de transformar o combate em dança.
O cronista Rubem Alves definiu o gol como um estupro, afirmando que o único prazer do futebol esta no sofrimento alheio e, de fato, o acirramento da competitividade endureceu o jogo. Com uma revolução industrial ocorrendo dentro do esporte, a ginga do futebol brasileiro é apontada como reduto de resistência de sua beleza.
“Hoje a maioria dos jogadores são fortes, mas a força nunca vai ganhar da inteligência. Se você for mais inteligente não tem como o zagueiro te pegar”, diz Robinho no documentário “Ginga – The soul of brasillian footbol”. Brasillian assim com “s” mesmo.